O véu como peça de vestuário, começou
a ser usado por homens e mulheres, como proteção por causa do sol causticante
nas regiões desérticas. Com o passar do tempo à coisa continuou quente apenas
para o lado das mulheres. A imaginação fértil do autoritarismo masculino impôs
o uso do véu, não por cuidado ou proteção contra o sol causticante, mas para
emparedar a mulher por trás dele, fazendo do seu uso uma obrigatoriedade. O
rosto de uma mulher, principalmente das virgens, só poderia ser visto por
membros da família. Torná-lo público era sinal de desonra.
Sabemos que no início dos tempos
bíblicos, o véu já era utilizado para proteger, resguardar e dar um ar
misterioso às mulheres da época. Conta à história, no capítulo 24 do livro de
Gênesis, que Abraão mandou o seu servo Eliezer, buscar mulher que pertencesse a
sua parentela para esposar seu filho, Isaque. Rebeca, moça formosa, escolhida a
dedo pelo próprio Deus, possuidora de inúmeras qualidades; deixou tudo para
trás e seguiu rumo a seu destino, levando consigo bem pouco da casa de seu pai,
sabendo que o cuidado de Deus lhe proporcionaria a honra do amor.

O véu que resguarda, quando retirado
de forma majestosa, deixa ver toda a beleza e revela aos poucos todo mistério,
guardados por traz dele. O encanto da descoberta é que aguça o desejo. Um
desejo que aumenta e perdura.
Nas gerações passadas os jovens eram
ensinados a preservar alguns princípios. Princípios agem na vida de uma pessoa
como a cobertura de um véu. Pessoas que não entendem o valor de princípios, ético-moral
–espiritual, desprezam a qualidade de belo, que proporciona o desejo da
descoberta. O preço é baixo, como os pobres valores adquiridos. A liberdade de
fazer da própria vida o que bem entende, leva muitos a becos sem saída, a
angustiantes guetos interiores, a exposição nas praças públicas dos faladores,
e a crucificação por parte dos hipócritas.
As lindas e inteligentes meninas de
hoje, em grande maioria, são induzidas a abolir seus véus. Não há mais nada a
ser descoberto. Todo o seu universo está exposto. A intimidade está à mostra
para qualquer um ver e talvez desfrutar. Não há mais o que ser valorizado, pois
não há valores guardados por traz do véu. A maturidade às avessas deixam-nas vulneráveis
a qualquer tipo de circunstancias e pessoas. “Liberdade e responsabilidade
caminham juntas”. Este foi o lema repetido diversas vezes em nossa casa,
enquanto minhas filhas estavam em formação. A liberdade tão cobiçada, sem a
responsabilidade devida, transforma-se em prisão, que cerceia o alvo do desejo.
Os rapazes por sua vez, borboleteiam
nas suaves flores sem compromisso algum, não percebendo o quanto isto as
despetalam. Rasos de sentimentos e estagnados na imaturidade, não entendem a
profundidade do ato de retirar o véu de uma donzela, para conhecer a riqueza de
sua intimidade, tomando-a por mulher. A vulgarização do sublime, tão
incentivada pela mídia, diploma jovens tresloucados que não saberão ensinar com
propriedade as suas futuras famílias, isto é, se chegarem a formar uma. A
famosa frase: Prendam as suas cabras porque os meus bodes estão soltos” é dita
com orgulho por pais que, erradamente tentam firmar a masculinidade dos
garotos, e isto, no mínimo alimenta o ego de um pegador. Sem escrúpulos, por
não terem aprendido com o modelo ideal, não conseguem valorizar o amor-paixão
que segue pela vida à fora, no entrelaçamento de dois seres que se fundem até
que a morte os separe; trocando pela ilusão da transa animal, descompromissada.
A mulher foi criada para ser amada
pelo homem, este é o seu desejo natural. Se uma mulher é amada, ela descansa no
amor, fazendo do seu companheiro o mais feliz dos homens. Enquanto isso o homem
precisa do respeito desta mulher. Um casamento perfeito, “amor e respeito”. Sem
estes dois tributos, nenhum relacionamento vai muito longe.
O véu é a linha que delimita os
espaços. E somente através da honra, deve ser retirado. Assim como Isaque, pelo amor, desnudou Rebeca
do seu véu. Se isto que estou dizendo fosse asneira, a verdade dos casamentos
atuais seria diferente. A geração micro-ondas, já pega tudo pronto, e da mesma
forma que esquenta rápido, também esfria. A ebulição lenta e duradoura que traz
o fogão a lenha, é totalmente inviável para os dias atuais, dizem os educadores
modernos. Sem profundidade, os compromissos ensinados, são mantidos em bases
movediças; construídos hoje, para despencarem amanhã.
Mas, caso despenque, não há problema
algum. O manual da escola, da vida moderna, diz que: a fila anda; bobeou,
dançou; até que o divórcio nos separe; vamos “ficar”...

Valores e princípios morais não
caducam. Se fizermos um X nos valores ético-morais, acabamos desconstruindo por
completo a casa que erigimos e onde nos abrigamos a partir da formação familiar
e dos resultados das inclusões filosóficas e religiosas, que aprendemos na
sociedade onde vivemos. É como uma pessoa perdida no meio do nada, que pensa
não precisar da bússola norteadora para se encontrar. É necessário rever
valores e conceitos, sim, mas há que se ter cautela com distorções, para não
trocar o certo pelo errado ou pelo duvidoso.
A honra que Deus nos trouxe através
de Cristo é valiosa demais, para ser trocada por meros preceitos mundanos; por
mais inteligentes que sejam, são resultado da natureza decaída. Não há como
servir a dois senhores. A Graça tem sido tratada com leviandade por muitos que
não entendem que nela, a nossa responsabilidade apenas aumenta. A quem mais é
dado mais será cobrado. Ela é mais séria do que a Lei. Como um pequeno exemplo
vejam, que na Lei, o adultério consumado, era pago com a morte. Na graça, basta
olhar com segundas e terceiras intensões, que já se torna réu. Porém, esta
maravilhosa graça, não é simplesmente para condenar, como fazia a Lei, mas para
conscientizar, tratar, curar - em pleno amor... O véu rasgado, nos fez enxergar
a graça que nos retorna ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído – “a gloriosa
presença de Deus”. Temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu...
Hebreus 6:19
Hebreus 6:19
Deus nos abençoe.
Denise Figueiredo Passos