
Na semana
passada começamos uma série de estudos e
orações, com o objetivo de identificar alguns pontos a trabalhar em nós
mesmos. Com o título “Derrubando gigantes interiores”, estes estudos visam
apenas alertar para a necessidade que cada um tem consigo mesmo em se conhecer
e avaliar. Vale a pena adquirir o saudável hábito que nos aconselha o apóstolo
Paulo “examine-se o homem a si
mesmo...”. A contemplação é um hábito pouco praticado pelos ocidentais, e
isto não facilita este exame tão necessário. Antes, porém, nos achamos aptos a
avaliar a vida do próximo, o que é um erro grotesco.
A natureza
humana é composta por muitos fatores que trazem influencia negativa ou
positiva, dependendo da estrutura de formação. O “Eu” somado a todos os ISMOS
foi identificado como o primeiro gigante a ser dominado, pois na verdade, nós
podemos ser o nosso melhor amigo ou o nosso pior inimigo. Depende muito do bem
que queremos ao homem interior que possuímos.
Partindo do
princípio de que, a boca fala do que o
coração está cheio, chegamos a conclusão do segundo gigante que devemos
controlar. A “língua” é muito íntima
do “eu”, por isso o “eu essência” deve ser trabalhado e, se a outra face do “eu”
já estiver em domínio fica mais fácil controlar os parceiros. Esta parceria
acentua-se quando alimentamos o ego
com os nossos achismos, quando não
paramos a fim de avaliar situações e assim ter a misericórdia necessária com o
próximo.
Este é um
assunto tão sério que a Bíblia afirma o seguinte: “A vida e a morte estão no poder da língua; aquele que a ama, comerá
do seu fruto”. Provérbios 18:21
A língua é um
órgão muscular, responsável pelo paladar. Uma série de ossos, glândulas e
outros músculos trabalham para o seu bom desempenho. Este é o único músculo
voluntário que não se fadiga, isto é, não se cansa quando se esforça. A língua
que faz identificar os diferentes sabores, também ajuda a jogar a comida de um
lado para outro, mantendo-a no devido lugar durante a mastigação. Seria
impossível ao ser humano poder falar, sem a ajuda da língua. Também é de sua
responsabilidade trabalhar os diferentes fonemas da fala, tal a sua mobilidade.
Quem já ouviu
a frase: “tenho uma bomba pra te contar”? Acho que todos nós já ouvimos de uma
forma ou de outra. O termo deriva da bomba de fissão nuclear. Quando um núcleo
é bombardeado ocorre uma fissão. O núcleo se divide em dois e estes dois
atingem a outros que também são divididos, ocorrendo uma multiplicação em
cadeia até chegar a um ponto de pressão tão grande, que explode. Da mesma forma
são as “inocentes bombas”, não menos atômicas do que as consideradas reais, que
são disparadas através da língua e explodem com a moral da vítima.
Vida e morte
são dois extremos antagônicos. Não há como ter vida e morte, caminho de vida e
caminho de morte ao mesmo tempo. Mas, podemos e devemos escolher. A Bíblia não
á drástica neste versículo, apenas revela o que há por traz de tudo que
proferimos. Tudo que deixamos nascer com a exteriorização do pensamento através
da fala. Enquanto um pensamento não for verbalizado é mantido sob controle e,
inofensivo à vida de outros, porém quando pronunciado ocorre um efeito que pode
ser benéfico ou catastrófico, dependendo do que se fala.
Eu tive uma
criação bastante rígida, e agradeço a educação que tive dos meus pais. Eu e
meus irmãos nunca ouvimos nossos pais fazerem comentários maliciosos ou jocosos
em questão da moral de outras pessoas. Os assuntos ministeriais eram tratados
de forma privada e a particularidade dos membros era preservada. Lembro-me de
sempre ouvir a frase “não vi e não sei, cabem em todo lugar”, em nosso período
de formação; mas hoje, é comum as famílias sentarem em torno da mesa para falar
mal de todos os conhecidos e até muitos que consideram amigos. Os próprios pais
ensinam a seus filhos a não ser confiáveis.
A coisa é que,
isto vai crescendo dentro da pessoa de tal forma que ela se acostuma a falar o
que não deve sem se dar conta, como se estivesse chupando uma simples bala. Em
algumas isto se acentua tanto que se transforma em cinismo tornando-as malignas
na deformidade do caráter. Infelizmente de um jeito praticamente irreversível,
visto que são aprisionadas pelos defeitos que se tornam estilo de vida e infelizmente
carregam o estigma de fofoqueiros, caluniadores, intriguistas, mexeriqueiro,
bisbilhoteiros. Nada agradável ter alguém assim por perto. O máximo que estas
pessoas podem chegar perto da vida de outra é no nível da trivialidade.
O caluniador
é o mentor e o fofoqueiro o seu criado, fazendo o sujo serviço de entrega. Os
dois trabalham em conjunto no departamento de demolição da vida alheia. Quebram
sem dó nem piedade o que levou anos para ser construído; a moral do próximo.
Uma das coisas que aprendi é que nunca se fala da moral alheia. Afinal, todos
temos uma parte do telhado feito de vidro.
Tiago
descreve com bastante clareza o assunto em sua epístola, no capítulo 3,
versículos de 3 ao 6, onde pondera que colocamos freios na boca dos animais
para os dominar e, os navios que impelidos por fortes vento, são dirigidos por
um pequeno leme, e que basta uma fagulha para incendiar todo um bosque. Da
mesma forma a língua é um pequeno órgão do corpo, que age como o fogo, que
sendo inflamada pelo inferno, incendeia todo o curso da nossa vida. De forma
que, alguém que se orgulha em ser religioso, mas não controla a sua língua, a sua
religião para nada presta. ISTO É MAIS SÉRIO DO QUE IMAGINAMOS.
Suelen, minha filha mais velha, foi bastante
peralta. Um dia subiu na janela da nossa sala de estar e enquanto conversava
com as amigas que estavam do lado de fora, resolveu pular. Ao cair no chão com a
força do deslocamento do corpo, a língua que ficou entre os dentes foi mordida
e sangrou muito. Lá fomos nós para o hospital costurar a língua da Suelen. Como
o tecido da língua é poroso e escorregadio, os pontos não seguravam e ela
precisou costurar a língua por três vezes, em dois dias.

Este órgão,
que foi criado com tanto esmero para o prazer do ser humano, deveria ser melhor
utilizado; para falar o que é certo no momento certo, para falar de amor e
abençoar a vida de outra pessoa, para degustar a diversidade de tudo que foi criado a fim de nos alimentar,
para proteger o organismo não permitindo que nada estragado seja ingerido, para
beijar deliciosamente. O que deveria ser bênção na vida da pessoa ela mesma é
capaz de transformar em desgraça. Tem muita gente que precisa dar uma boa
mordida na língua para evitar que ela fale o que não deve, a fim de deixa-la
costurada dentro da boca por mais tempo.
O assunto
parece sem importância, mas é bastante sério. Este pequeno órgão, criado para o
prazer do homem, pode ser destorcido em prazer de destruir. Este enorme gigante
precisa ser controlado, antes que destrua o que temos de melhor, a integridade.
Para finalizar
volto às palavras de Tiago, 3:2, “Porque
todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é
perfeito, e poderoso para refrear todo o corpo”. Como expliquei no texto da semana passada, esta
perfeição é no sentido de inteireza de coração. Se alguém prejudica a seu próximo,
mesmo com palavras que parecem tão simples, não pode estar inteiro com Deus.
Deus nos abençoe.
Denise F
Passos