Quando olho para as dificuldades das igrejas atuais, não vejo
que o problema começa na igreja, mas nos lares. A igreja é uma comunidade, onde
várias famílias, oriundas de visão, cultura e valores diferentes estão juntas
para um propósito. As igrejas que deveriam servir de base orientadora, andam
meio perdidas como nos hospitais públicos; muita gente zanzando nos corredores
sem atendimento eficaz. Os médicos, como muitos pastores, andam desestimulados
com a infraestrutura organizacional e, os que são competentes e que realmente
vestem a camisa do seu chamado, precisam além de tudo o mais, ser grandes
malabaristas, para segurar a peteca que insiste em cair.
A igreja primitiva cresceu com as reuniões simples nos lares
e isto serviu de base para as famílias. O aconchego da igreja era o aconchego
do lar. Mas, hoje, as famílias pouco se reúnem para uma simples refeição; como
podem manter o aconchego como família de Deus em seus mega templos? Os tempos
atuais estão nos empurrando para a individualidade, haja vista que uma grande
maioria acha melhor ser crente em casa, tendo irmãos virtuais, pastor virtual,
ceia virtual, isto, sem ter a necessidade de dizimar virtualmente. Compromisso
zero, baseado em decepções com o homem que vê, redundando para o Deus que não
vê.
Nos anos em que o povo de Israel esteve habitando no Egito, parte
dele preservou sua cultura, seu Deus e sua identidade, porém, muito se perdeu
no coração do povo. Porque há tanta facilidade em assimilar o erro? A vida, a
cultura, os deuses, a orgia que envolvia a religiosidade, a facilidade aparente
da fartura de víveres; iludiu o povo que já não entendia o seu Deus como o
Todo-Poderoso, Doador da vida, Criador de todas as coisas. Um Deus que dava pouco e exigia muito, no
entendimento da grande maioria. Para quatrocentos anos de escravidão, foram
necessários quarenta anos de desintoxicação no deserto. Uma purificação que foi
apenas parcial, pois o verme da idolatria impregnou-se neles. E assim, o ranço
acompanhou o coração corrompido daquele povo, que entre vitórias e derrotas,
experimentou o sabor do mel que a obediência traz e o amargo do fel, que
acompanha a desobediência.
Hoje não acontece muito diferente. Os altares erigidos aos
semideuses pelos que invocam por adoração do povo, que pensa estar agradando e
adorando a Deus, estão por toda a parte. Imperceptíveis, estão camuflados de
“glória de deus” nos seus grandes movimentos teatrais. A adoração é tanta, que
se hoje Jesus Cristo estivesse em julgamento, vestido de toda humildade que
pregou, seria escolhido na seleção para a crucificação entre seu próprio povo.
Esperamos ardentemente por um avivamento que está às vias de
vir. E nós cremos que ele realmente virá. Mas, enquanto o ranço nos acompanhar
é inviável de acontecer. Quando o pentecoste veio sobre os fiéis, para assim
formar a igreja de Cristo, eles estavam unidos
e reunidos num lugar. Nós estamos, e digo isto com muito pesar, como numa
Babel, cada um falando a sua própria língua, sem que o Espírito que unifica e
universaliza, atue, para uma guinada de 360 graus no coração do povo, para que este
regresse a essência da origem, que se tem diluído ao longo do tempo.
“A sabedoria clama em voz alta nas ruas, ergue a voz nas
praças públicas; nas esquinas das ruas barulhentas ela clama, nas portas da
cidade faz o seu discurso: Até quando vocês, inexperientes, irão contentar-se
com a sua inexperiência? Vocês, zombadores, até quando terão prazer na
zombaria? E vocês, tolos, até quando desprezarão o conhecimento? Se acatarem a
minha repreensão, eu lhes darei um
espírito de sabedoria e lhes revelarei
os meus pensamentos”. Provérbios 1:20 a 23
Até a natureza está em dor. Ela geme diante da nossa
estupidez. Nós, seres conscientes, que gabamos uma estupenda inteligência, não a
utilizamos para o que é reto; passamos a vida lutando por causas que não
glorificam a Deus em absolutamente nada. Nossos próprios interesses fazem
alarde adiante de nós como o som de guizos, que batem em paredes ocas e por
isso são muito barulhentos. O único propósito é o de chamar a atenção.
A Sabedoria está clamando, ela grita incessantemente nas
ruas, nas praças, sua voz clama dentro de nós. Quando daremos ouvidos? É tempo
de permitir a circuncisão do coração e parar de fingir viver o cristianismo que
não temos. A hora chegou, em que não há tempo de brincar de ir a igreja aos
domingos para ter um descontraído encontro social. Ou abraçamos de uma vez por
todas o Cristo ressurreto ou o negamos veementemente. A Graça de Deus é maior
do que a Lei, portanto implica em maior responsabilidade.
Quando descemos as águas batismais, como simbolismo de morte
para tudo que é contrário a Deus e emergimos para uma novidade vida, precisamos
entender a responsabilidade deste ato e de verdade optar por viver uma vida de
liberdade em Cristo, livre das prisões que tão de perto nos rodeia. Uma enorme
gama de pessoas que amam a Deus e professam o seu nome ainda não conhece esta
liberdade. Dizem amar a Deus, mas andam quilometricamente distantes do Espírito de Sabedoria e de Revelação. E
se os pensamentos de Deus não são mais revelados ao povo, para que andem em
retidão, este, parte para a sua própria imaginação que por sinal tem sido
bastante fértil.
As invencionices mirabolantes tomam o lugar do que é simples
e objetivo, porque ninguém mais dá ouvidos à repreensão. O povo vive como no
deserto, migrando de oásis em oásis, escolhendo onde haja melhor sombra e água
fresca. Sem se dar conta que viver o evangelho de Cristo é sofrer por amor a
Sua causa. Quem já sofreu por amor, sabe muito bem do que estou falando. É
negar-se a si mesmo e as suas vontades pelo que é nobre. Tudo em prol do REINO
de DEUS.
Deus esteja entre nós; dando-nos um espírito de sabedoria que
nos revele seus perfeitos pensamentos!!!
Denise F Passos